as pessoas

Edu Cordeiro

1958576_838762359482242_2556647076409307633_nA paixão por pessoas e lugares me fez turismólogo de formação. O sacerdócio na educação me fez professor. Como educador, deixei de acreditar no modelo que reina na quase totalidade de nossas escolas, em qualquer nível. Desacelerei. Talvez por isso tenha desistido do meu mestrado em educação, já perto da defesa de dissertação, e acabei me pós-graduando em gestão de bens culturais. Mas continuo convicto de que a educação é uma potência que transforma pessoas. Desacelerei. Fiz parte do mundo corporativo por muitos anos, fui diretor de grandes grupos educacionais, e ajudei a alimentar a sua lógica, até me dar conta de que quase nada dela fez sentido para mim. Acelerei muito nessa vida e percorri muitas vezes os mesmos caminhos, até perceber que nunca tinha feito a mesma viagem. E me dei conta, também, de que neste percurso muitas vezes me faltava o rumo e a direção. Desacelerei. Tenho nos meus discos e livros o meu refúgio e meu desassossego. Melhor ainda se tiver amigos e uma boa cerveja. Na cozinha, alimento meu prazer pela boa comida e sinto que algumas pessoas gostam das coisas que ouso preparar. Costumam agradar a sagrados e profanos. Gosto de esportes e sou especialmente apaixonado por futebol, ainda que nos dias atuais não consiga mais sustentar os fundamentos dessa paixão. Sou um ex-promissor judoca frustrado. Desalecerei. Otimista, mantenho a crença nos modelos de sócio-convivência onde estejam preservados, sobretudo, a dignidade e o valor do ser humano. Isso faz todo o sentido. Coloquei o bem-estar e a qualidade de vida acima de todas as outras coisas. Resgatei minha essência e minhas raízes. Desacelerei. E me apaixonei novamente. Pela vida simples e pelas coisas belas. Pela minha companheira, mulher e mãe incrível, que também acha tudo isso lindo e sempre me incentiva e me cuida e me usa, entenda como quiser. Dei ainda mais voz ao amor e à amizade, no sentido mais legítimo dos termos. Resolvi lançar no universo essa energia e deixar que ela traga ou leve quem quiser estar nessa comigo. Da noite para o dia, me tornei pai. Tenho uma família linda. Simples e linda. Desacelerei. E amei. Amém!

 

Mi Prazeres

10984603_883534418360327_9192828506780994197_nSou jornalista de formação e segui as trilhas da vida para chegar onde sempre desejei: a educação. Hoje, sou professora e atuo também como consultora nas interfaces entre comunicação, educação e direitos humanos. Mas a minha melhor “credencial” é a de “mãe do Miguel e do Francisco”. Mig tem 6 anos, e Francisco tem 1. A chegada deles me transformou. Já na gravidez do primeiro, busquei muito autoconhecimento e entrei em contato com um universo determinante para tudo que viria depois. A experiência de dois partos naturais (sendo um em casa) me trouxe novas vivências relacionadas a meu corpo. A maternidade me fez repensar o meu estar no mundo, e onde eu quero chegar e do que preciso – de fato – para seguir meus caminhos. Meus filhos e minha condição, de mãe, me trouxeram mais urgência para algumas coisas (as que são fundamentais) e mais parcimônia para outras (as que muitas vezes o mundo grita serem fundamentais, mas não são). E mais serenidade para distinguir umas das outras. Segui buscando formas de me conhecer e de estabelecer relações mais significativas e sólidas com as pessoas. Mais verdade. Mais afeto. Mais vínculo. Mais do que realmente importa. Era o começo de um itinerário sem volta, que me levaria, entre outras coisas, a encontrar também o amor. Um amor por mim mesma que me conduziu ao amor da minha vida. E a uma relação saudável e madura, de troca e cumplicidade. Como eu gosto muito de tudo que faço, mas gosto mesmo é de gente, estou achando tudo isso encantador. Isso. Faltou dizer que eu acredito no reencantamento do mundo. E ele virá pelas pessoas, pelo afeto, pela delicadeza, pela generosidade, pela suavidade, por redes, por movimentos muitas vezes silenciosos e discretos que não tem vez e voz nas mídias tradicionais, mas estão costurando tecituras de riqueza alternativa e solidariedade entre pares. Acredito também na política. Acredito que as nossas experiências podem mudar o mundo mudando a nossa própria realidade. Acredito no nosso papel como cidadãos, e na responsabilidade que temos na construção de um mundo que seja um pouco mais humano para receber e acolher estas pessoas lindas que estão chegando. Acredito no amor, sobretudo. Por isso, gosto de gente. Por isso, acho que somos fruto dos encontros que promovemos na vida. Por isso, sou um pouco da minha família, dos meus amigos, dos meus irmãos, que amo. Por isso sou um pouco de cada um e cada uma com que já cruzei pelas minhas andanças… por isso este texto nunca teria fim. E espero editá-lo a cada encontro significativo que me marcar e me definir. Encontros estes que tenho certeza que serão promovidos por este projeto, que já é uma nascente de amor, vida e luz.
Se quiser saber um pouco mais sobre minha trajetória profissional, acessa meu blog. ;

 

Solano Diniz

FullSizeRender copyPara ser sincero, desalecerado não é bem a primeira palavra que eu escolheria para arriscar uma autodefinição. Na verdade, foi a latência de características como curiosidade, exagero e ansiedade que me fizeram sair de casa aos 17 anos e literalmente me aventurar pelo mundo. Hoje, aos 40 anos, mantenho como troféu a sensação de que sou talhado pela imaginação do que vislumbro, crio, ouço, leio e escrevo. Aliás, alimento para a alma de sonhadores, foi a leitura das obras de Jorge Amado que me fez trocar a vida certa (demais) ao lado da família em São Luís do Maranhão pelos encantos e incertezas de Salvador (trocar a baía de um santo só, a de São Marcos, pela baía de todos os santos). Assim, o que a princípio era interpretado como sensação ou impulso, na verdade já era um dos traços mais fortes da minha personalidade se manifestando: a coragem de, pelo menos, tentar realizar meus sonhos. Por isso, conhecer, descobrir e desbravar se tornaram verbos essenciais na minha jornada. Através deles, a feliz experiência em terras baianas se tornou apenas o primeiro passo no caminho desse menino com sede e fome de mundo. Experiência trampolim para cidades como Belo Horizonte, Santos, São Paulo, Londres e Rio de Janeiro. Centros urbanos que me municiaram, não sem erros ou tropeços, de paisagens, culturas, hábitos e amigos. Muitos amigos. Como tinta para pincel, encontro na humanidade e poesia destes a matéria-prima indispensável para escrever, tarefa que surgiu com a espontaneidade de quem ler. E que hoje me define pela incansável tentativa de apreender o que me toca, comove e move. É isto que me faz integrar este grupo, esta iniciativa, este movimento de olhar direcionado para o que somos ou queremos ser – enquanto indivíduos, enquanto espécie saudável.