Compartilhamos aqui neste post algumas referências da nossa pesquisa sobre comunicação, aceleração, autoria e humanização. 

 

ACOSTA, Alberto. O bem-viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. Ed. Elefante. 2016
O Bem viver é um conceito aberto, de origem latino-americana, que se apresenta como
contribuição genuína ao debate da esquerda mundial do século 21. É um olhar que se
alinha ao do decrescimento enquanto resistência aos paradigmas pós-
desenvolvimentistas.

CONTRERA, Malena Segura. Vínculo Comunicativo. In: MARCONDES FILHO, C. J. R. (Org.) Dicionário de comunicação. São Paulo: Paulus, 2014.
Contrera, afirma que “podemos considerar a contribuição do estudo dos vínculos comunicativos para um alargamento da compreensão sobre os meios de comunicação, entendendo-os como espaços (físicos ou simbólicos) nos quais essa rede de vinculação deve operar numa escala socialmente maior do que a da comunicação interpessoal, e refletindo sobre se esses meios têm ou não, de fato, desempenhado esse papel, ou se se tornaram meros espaços funcionais por onde transitam informações assépticas e vazias de sentido, apenas quantitativa e mercadologicamente consideradas”.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
Para Freire, o diálogo é “uma relação horizontal de A com B. Nasce de uma matriz crítica e gera criticidade. Nutre-se do amor, da humildade, da esperança, da fé, da confiança. Por isso, só o diálogo comunica. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim, com amor, com esperança, com fé um no outro, se fazem críticos na busca de algo. Instala-se então, uma relação de simpatia entre ambos. Só aí há comunicação”.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Editora Vozes. 2015
O autor problematiza a sociedade do cansaço, que se transmuta na realidade como “sociedade de desempenho” e “sociedade do trabalho”. Para Byung-Chul Han, somos chefes de nós mesmos e esta é uma forma de coerção mais eficiente do que a sociedade do controle. Ele aponta que perdemos a capacidade de dedicar atenção ampla e contemplativa às tarefas, pois somos “animais laborais”, impossibilitados do recolhimento contemplativo. A absolutização do trabalho, para o autor, é uma das
grandes engrenagens da sociedade do cansaço: uma sociedade hiperativa que, na verdade, é hiperpassiva, porque não se permite mais pensar; e o pensamento seria a mais ativa atividade. Ele afirma a necessidade do tempo intermediário, sem trabalho; e de resgatar a celebração, a festa, o belo e o divino no cotidiano e na política.

HONORÉ, Carl. Devagar. Editora Record. 2005
Considerado a “bíblia” do Movimento Slow, o livro do jornalista escocês problematiza a
velocidade como regra e apresenta a ideia de “tempo giusto”. Devagar não é ser lento,
mas dedicar às coisas o tempo que elas precisam. Os capítulos do livro trazem
“aplicações” do conceito de slow nas cidades, na medicina, na criação de filhos e na
alimentação.

MARCONDES FILHO, Ciro. Nova teoria da comunicação, v. 1: o rosto e a máquina: o fenômeno da comunicação visto dos ângulos humano, medial e tecnológico. São Paulo: Paulus, 2013. Coleção comunicação. Comunicação não tem nada a ver com transmissão, transferência, transporte, trânsito, repasse ou similares, pois todas essas definições supõem a ideia de que algo vai de uma pessoa a outra (…) Não existe esta materialidade, porque o que sai de mim, como fala, expressão, obra, música, toque, chega ao outro como coisa diversa, que eu jamais poderei saber o que é”. A comunicação é isso e apenas isso: a capacidade de romper a redoma de nós mesmos, o círculo fechado de nossa autossuficiência, e buscar o outro, reconhecer sua alteridade, sua especificidade, sua diferença em relação a mim, sua estranheza. O diálogo é  a primeira forma de comunicação humana. O termo significa “palavra que atravessa”, que liga as pessoas envolvidas numa conversação. É um fio, uma instância invisível, mera sensação, um fluxo de energias que circunda duas ou mais pessoas. Para ter efeito, é preciso que no instante preciso do seu acontecimento haja imersão total dos agentes na relação. O diálogo (…) é aquilo que dá condições à comunicabilidade, algo que ocorre entre as pessoas, é o tecido comum da interação. 

ROSA, Hartmut. Alienação e aceleração: esboço de uma teoria da temporalidade moderna
tardia. Alienation and Acceleration. Towards a Critical Theory of Late­Modern
Temporality. Malmö/Arhus: NSU Press, 2010. Título ainda sem tradução
oficial para o português.
O autor parte da definição do que seria uma vida plena para pensar os vetores de
aceleração da sociedade atual. A aceleração é técnica; é do ritmo de vida; e das
mudanças sociais; e reverbera no espaço, nas relações sociais e no mundo material.
Rosa explora os motores de desaceleração que podem “frear” estas engrenagens.

ROMANO, Vincente. Ecología de la comunicación. Hondarribia: Argitaletxe
Hiru, 1998
Voltada para o campo da comunicação, a obra analisa a crise sistêmica e a ecologia como uma atitude cognitiva e prática necessária para recobrarmos o corpo como mídia primária, na perspectiva da convivência. O corpo está colonizado pelas mídias e tecnologias e é preciso descolonizá-lo. Nesse sentido, pensa-se nas noções de ecotempo e biotempo.

SODRÉ, Muniz. As estratégias sensíveis: afeto, mídia e política. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.
Nesta obra, o autor se questiona sobre a possibilidade de existência de uma potência emancipatória na dimensão do sensível, do afetivo ou da desmedida para além dos “cânones limitativos da razão instrumental”. Ele resgata a dimensão do sentir para o comunicar, afirmando a urgência de uma outra posição interpretativa para a comunicação.    

WOLTON, Dominique. Informar não é comunicar. Porto Alegre: Sulinas, 2011.
Wolton aponta que vivemos em um excesso de expressividade, mas não de comunicação. “A velocidade da informação, muitas vezes, impede o aprofundamento, tendo como consequência a simplificação, o excesso de clichês e de estereótipos”. Para o autor, a pressa – em detrimento da compreensão de acontecimentos cada vez mais complexos – faz com que haja cada vez mais informação, mas uma informação que circula sem checagem e apuração. Para Wolton “a velocidade da informação pode se tornar uma arma fatal na medida em que o entendimento do outro necessita de tempo e lentidão a fim de superar os estereótipos múltiplos e construir um mínimo de convivência cultural”.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>